Como fazer licitação de IA: checklist do TR

como fazer licitacao de inteligencia artificial: checklist do TR

Licitar soluções de IA exige mais que saber o nome da tecnologia — exige rigor técnico, coragem para cortar requisitos desnecessários e regras que evitem soluções “engavetadas” depois da contratação. Neste guia prático você encontra o que colocar no Termo de Referência (TR), critérios de julgamento, PoC objetiva e uma matriz de riscos que reduz chance de fracasso.

Se você cuida de compras públicas, TI ou controle interno, este texto entrega o essencial para desenhar uma licitação técnica e juridicamente defensável — nada de jargão vazio, tudo com foco em resultado. E sim: boa parte desses checklists foi debatida em campo na Comunidade IA com Propósito (IAp).

O que é isso na prática?

“Como fazer licitação de inteligencia artificial” significa transformar expectativas em requisitos mensuráveis: disponibilidade, explicabilidade, retenção e uso de dados, garantias contratuais e provas de conceito que comprovem performance com dados reais (ou sintéticos equivalentes).

Sem isso, você contrata um “chatbot” que funciona bem no demo e mal no mundo real — e a culpa vira dor de cabeça administrativa e legal.

Por que isso importa agora?

  • IA impacta decisões e serviços: erros geram dano ao cidadão.
  • LGPD exige cuidado com dados para treinar e inferir modelos.
  • Risco de direcionamento quando o TR é impreciso ou excessivamente técnico.

Uma licitação ruim contrata um fornecedor, mas entrega um produto que ninguém usa. O TR certo evita desperdício e responsabiliza quem deve.

Como começar?

  1. Mapeie o problema governamental que a IA precisa resolver (objetivo claro).
  2. Defina métricas de sucesso mensuráveis para PoC (ex.: acurácia, FPR/FNR, tempo de resposta).
  3. Escolha critérios de julgamento balanceados: técnica, segurança, preço e capacidade de transferência de conhecimento.
  4. Inclua requisitos obrigatórios: LGPD, logs, auditorabilidade e cláusulas de não reutilização de dados.

Estrutura mínima do TR (checklist direto)

  • Objeto: escopo objetivo e limites do que será entregue.
  • Requisitos funcionais: entradas, saídas e SLAs (latência, disponibilidade).
  • Requisitos não-funcionais: segurança, criptografia, rastreabilidade, explicabilidade.
  • Dados: origem, anonimização/pseudonimização, propriedade e política de descarte.
  • Prova de Conceito (PoC): dataset, critérios de aceitação, prazo e ambiente de testes.
  • Transferência de conhecimento: documentação, treinamento e código-fonte/artefatos quando aplicável.
  • Garantias contratuais: penalidades, suporte, atualizações e cláusulas de não-direcionamento.
  • Auditoria e compliance: acessos para auditoria, logs imutáveis e métricas reportadas.

Matriz de riscos enxuta

  • Baixo: conteúdo informativo público — exigir apenas controles básicos.
  • Médio: dados pessoais pseudonimizados ou decisões operacionais — exigir PoC e cláusulas contratuais.
  • Alto: decisões que impactem direitos (benefícios, ranking de candidatos) — exigir explicabilidade, on‑premises ou isolamento e auditoria independente.

PoC eficaz: o que exigir

  1. Ambiente controlado com dataset representativo (ou sintético validado).
  2. Métricas claras: precisão, recall, tempo médio de resposta, taxa de fallback.
  3. Teste de robustez: inputs adversariais e cenários de falha.
  4. Entrega de artefatos: código, modelos, logs e documentação de treinamento.
  5. Critério de aceitação binário e prazo curto (ex.: 4 semanas).


POC_CRITERIA:
- dataset: fornecido pelo órgão (amostra pseudonimizada)
- metric: recall >= 0.85 AND false_positive_rate <= 0.10 - deliverables: modelo exportável, pipeline de ingestão, script de avaliação

Critérios de julgamento que evitam direcionamento

  • Proporcionalidade técnica: exigir especificações, não marcas.
  • Capacidade de replicação: fornecedores devem demonstrar como o órgão poderá operar o serviço.
  • Transparência sobre uso de terceiros e subprocessadores.
  • Experiência comprovada com casos similares — pedir evidências e contatos para validação.

Cláusulas contratuais essenciais

  • Proibição de reuso dos dados para treinar modelos externos.
  • Direito de auditoria e acesso aos logs por autoridade competente.
  • Planos de contingência e SLA de correção de falhas.
  • Responsabilidade objetiva por vazamento de dados e violação de LGPD.

O que ninguém te contou

Compras públicas falham mais por falta de definição de aceitação do que por tecnologia. Um TR ótimo com PoC claro salva recursos públicos e evita surpresas políticas.

Erros comuns

  • Pedir “solução de IA” sem definir problema e métricas.
  • Exigir exclusividade tecnológica ou marcas específicas.
  • Ignorar cláusulas de proteção de dados e reuso.
  • Não exigir transferência de conhecimento — órgão fica refém do fornecedor.

Como começar hoje — checklist rápido

  1. Documente o problema em 1 página com métricas desejadas.
  2. Monte PoC de 4 semanas com critérios de aceitação binária.
  3. Inclua cláusulas de LGPD e auditoria no edital.
  4. Priorize fornecedores que aceitem contratos com cláusulas de não-reuso e logs.

A Virada de Chave Que Eu Faria, Se Estivesse No Seu Lugar

Quer reduzir fricção e risco sem perder inovação?

Exigiria PoC curto e objetivo como filtro eliminatório — quem não passar, está fora. Em paralelo, tornaria obrigatório um deliverable de transferência de conhecimento (scripts de avaliação e pipelines). **E se quiser acelerar com quem já faz isso na prática, participe da Comunidade IA com Propósito clicando aqui: https://chat.whatsapp.com/KiWcjOkAjBSKeNVYKGQA35.**


Prof. Leandro de Jesus
Administrador | Palestrante | Especialista em Inteligência Artificial
Mentor em Automações Inteligentes e Criador da Comunidade IA com Propósito
Instagram: @prof.leandrodejesus | Contato: (69) 99224-2552
💡 “Dominar IA é dominar oportunidades.”

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